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Acordo cambial entre Portugal e Cabo Verde pode ir até “à quase integração” na zona euro

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O primeiro-ministro cabo-verdiano disse que o futuro do acordo cambial entre Portugal e Cabo Verde pode ir "quase até à integração" na zona euro através da convergência das políticas económicas.

O primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, disse esta quarta-feira que o futuro do acordo cambial entre Portugal e Cabo Verde pode ir “quase até à integração” na zona euro através da convergência das políticas económicas.

“Podemos ir à quase integração. Como uma pequena economia, Cabo Verde precisa de estar inserido em espaços económicos dinâmicos e a zona euro é um desses espaços. Precisamos de garantir estabilidade e confiança e a moeda é um dos elementos dessa confiança”, disse Ulisses Correia e Silva.


O primeiro-ministro cabo-verdiano falava aos jornalistas, na cidade da Praia, à margem do primeiro de dois dias de um seminário sobre os 20 anos do acordo cambial entre Portugal e Cabo Verde.

“Quase integração, porque a integração pressupõe Cabo Verde na União Europeia e não podemos porque não somos um país europeu. Quase integração quer dizer fazer convergência das nossas políticas económicas com a zona euro”, acrescentou. Ulisses Correia e Silva assegurou que a moeda cabo-verdiana vai continuar ligada ao euro, adiantando que a adesão a uma futura moeda única da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) será equacionada quando se colocar.

“Ainda não há moeda única no espaço da CEDEAO, é uma intenção em construção e nós estamos na CEDEAO também para salvaguardarmos as especificidades de uma pequena economia que tem já uma história longa de relação comercial e de investimentos com a Europa”, disse.

Ulisses Correia e Silva lembrou que mais de 80% das relações económicas (comércio, investimentos e turismo) são com a Europa e reforçou a necessidade de salvaguardar essas especificidades. “Não tendo ainda a moeda única da CEDEAO, não podemos posicionar-nos em relação a isso”, sustentou, quando questionado sobre uma futura pertença a dois espaços monetários diferentes.

Ulisses Correia e Silva, que participou enquanto secretário de Estado das Finanças, na estruturação do acordo cambial entre os dois países fez um balanço positivo das duas décadas da sua aplicação, defendendo a sua “renovação” e “aprofundamento”. “Trata-se de uma grande reforma, feita há 20 anos, que introduziu um fator estruturante de credibilidade e de confiança da economia cabo-verdiana”, sustentou.

O Instituto de Ciências Sociais e Jurídicas de Cabo Verde organiza hoje e quinta-feira um seminário sobre os 20 anos do acordo cambial entre Portugal e Cabo Verde com especialistas portugueses e cabo-verdianos. A cooperação cambial, a evolução macroeconómica de Cabo Verde, a dupla circulação monetária [escudo e euro] e os efeitos sociopolíticos do acordo serão alguns dos temas em debate durante o evento.

O Acordo de Cooperação Cambial (ACC) entre Cabo Verde e Portugal vigora desde abril de 1998 e pressupõe a paridade fixa do escudo cabo-verdiano (CVE) ao euro. Outros instrumentos do acordo são a facilidade condicional de crédito de curto prazo de Portugal a Cabo Verde e a adoção por Cabo Verde de critérios macroeconómicos de referência dos Estados-membros da União Europeia.

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