“Não fosse a seca, Cabo Verde teria crescido 7% no ano passado” - Ulisses Correia e Silva - Radio Atlântico Cabo Verde

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“Não fosse a seca, Cabo Verde teria crescido 7% no ano passado” - Ulisses Correia e Silva

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Curta entrevista exclusiva (via e-mail ao Jornal Economico) com o Primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, sobre a economia e a conjuntura do país. Oito perguntas e oito respostas sobre TACV, emprego, crescimento económico e a suposta descoordenação com o vice-primeiro ministro, Olavo Correia.


Económico Cabo Verde – Esteve recentemente na Conferência Horasis Global Meeting, em Portugal, onde estiveram reunidos mais de 600 personalidades de todo o mundo. Frank Jurgen-Richter, presidente da Horasis Global Visions Community, disse que “chegou a hora de investir forte” em África. Sentiu isso? Ou melhor, como Cabo Verde poderá tirar proveito desta anunciada nova onda?

Ulisses Correia e Silva – Há um manifesto interesse nas perspetivas de crescimento das economias africanas e, particularmente, de Cabo Verde. Cabo Verde posiciona-se bem na base dos seus recursos intangíveis, que são a estabilidade política e social estruturantes que colocam o país como sendo de baixos riscos políticos e sociais; a estabilidade institucional regulada pela sua democracia, respeito pelos direitos humanos, pelo primado da lei, a segurança jurídica e baixo nível de corrupção; o capital humano e a localização privilegiada no atlântico. Mais do que constar, é nosso objetivo valorizar esses recursos, torná-los distintivos e criar, a partir deles, vantagens comparativas para posicionar Cabo Verde como uma plataforma de circulação económica no Atlântico Médio e de forma competitiva no mercado da CEDEAO em atividades de maior valor acrescentado na Cadeia de Valor Regional Africana. É nosso propósito também posicionar Cabo Verde como um aliado credível para a segurança cooperativa, nomeadamente a segurança marítima. É a partir destas ideias de base, que estamos a conceber e a operacionalizar a plataforma aérea, a plataforma de logística marítima, a plataforma digital, as plataformas financeira, comercial e industrial e a plataforma do turismo. É com esta abordagem de médio e longo prazo que pensamos que Cabo Verde poderá tirar proveito desta nova largada para o desenvolvimento da África.


ECV  – À margem dessa conferência de Cascais, disse que Cabo Verde está a negociar com o FMI um programa de assistência. Em que consiste esse programa e por que o vice-primeiro ministro e ministro das Finanças negou tal negociação?

– Houve um mal-entendido nas minhas afirmações. Cabo Verde não está a negociar e não tem intenção de negociar nenhum programa de assistência financeira com o FMI. O que temos estado a trabalhar com o FMI e outros parceiros é um programa de apoio às reformas económicas que visa aumentar o potencial do crescimento económico do país e reduzir de forma progressiva e sustentada a dívida pública com base nos objetivos e metas do Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável. Pretendemos do FMI um selo de garantia que reforce a credibilidade da nossa estratégia de crescimento económico, de consolidação orçamental e redução da dívida pública.


ECV – Houve ou não descoordenação política com o vice-primeiro ministro nesta matéria?

– Não houve. As declarações que o VPM produziu foram previamente concertadas comigo.


ECV – Na recente visita que efetuou a Angola uma das novidades foi precisamente a retoma da ligação aérea entre Cabo Verde e Angola. Relembro que num passado recente o Sr. Primeiro-Ministro tinha-se recusado a repartir custos em relação a essa linha. O que mudou? Como perspetiva o futuro das relações com Angola após a sua visita?

– A via de repartição de custos não é viável nem para os interesses de Angola e nem de Cabo Verde, porque essa ideia lançada, há mais de um ano, estava assente no pressuposto de subsidiar voos que vinham para Cabo Verde com uma média de 20 passageiros em aparelhos que transportam mais de cento e vinte passageiros. O que ambos os países pretendem é que as ligações aéreas sejam comercialmente viáveis. É com esse sentido que ficou expresso no processo verbal assinado pelos dois governos a cooperação entre a TACV e a TAAG com vista a explorar as várias possibilidades de complementaridade e de parcerias entre as duas companhias, nomeadamente as que potenciem o hub do Sal e o hub de Luanda. Quanto às relações com a Angola, elevámo-la para o nível estratégico, quer a nível do diálogo político através de comissões mistas e de consultas regulares, quer a nível das parcerias institucionais e económicas.



ECV – O contrato de gestão assinado com a Icelandair termina daqui três meses (Agosto), mas ainda a TACV está em reestruturação. O contrato com a companhia islandesa poderá vir a ser renovado? Como se encontra o processo de privatização?



O processo de reestruturação da TACV, com todos os problemas herdados, é complexo e exige negociações. O processo está a avançar e será finalizado com a privatização. O contrato de gestão com a Icelandair faz parte desse processo.



ECV – Por que o Hub do Sal ainda não decolou, sendo que Praia continua a registar mais voos?



O hub do Sal está a funcionar. É evidente que não se desenvolve um hub de um dia para o outro. Para além de novos destinos que a TACV está a explorar e vai explorar, há várias peças ainda por encaixar para o desenvolvimento do hub, como a concessão da gestão aeroportuária e a privatização da Cabo Verde Handling. Toda a cadeia de serviços, incluindo o serviço das fronteiras e a atividade comercial de lojas e restauração, tem que ser alinhada com as exigências da qualidade de um hub. Não é fazendo as mesmas coisas que se fazia antes que descolamos o hub do Sal.



ECV – O Governo fala de crescimento do PIB este ano na ordem dos 5,5%, mas o BCV e os organismos internacionais são menos otimistas apontando um intervalo entre 3,5 e 4,5%. Que comentário?

– Estas divergências são normais. São metas a atingir e para tal temos que fazer muito mais do que os pressupostos em que se baseiam o BCV e o FMI. Nomeadamente ao nível das reformas económicas, do ambiente de negócios e da atração de investimentos. Se não tivéssemos tido a seca e o mau ano agrícola, o crescimento de 2017 teria ficado nos sete por cento.



ECV – Ainda acredita na meta de 45 mil empregos neste seu primeiro mandato? Como lá chegar?

– Acredito. Tem havido criação de emprego. Tem havido aumento de emprego com inscrição na segurança social. O investimento privado tem aumentado e vai aumentar com os novos estímulos que temos lançado, nomeadamente ao nível do financiamento para micro, pequenas, médias e grandes empresas. Tem havido aumento da confiança. O governo tem compensado os graves problemas relacionados com a seca com o financiamento de programas públicos baseados em alta intensidade de mão-de-obra. Vamos lançar um forte programa de requalificação urbana e acessibilidades no valor de 100 milhões de euros em todos os municípios, o que irá ter efeitos na qualificação das cidades, na dinamização da atividade económica, no desencravamento de localidades com potencial agrícola e turística e efeitos na atividade de construção civil e emprego.

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