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Noura, forçada a casar aos 16 anos, matou o marido que a violava. Agora foi condenada à pena de morte

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Tinha 16 anos quando lhe indicaram o homem com quem passaria o resto da vida. Desgostosa e com outros sonhos a pintar o pensamento, fugiu para casa da tia, a 250 quilómetros. Por ali ficou três anos, até que lhe garantiram que estava tudo cancelado. Não estava. Ela voltou e entrou no filme desenhado pelo seu pai. A rapariga, já no novo papel, rejeitou envolver-se em relações sexuais com o novo marido. Ao sexto dia, ele violou-a, com a ajuda de familiares. Ao sétimo, tentou o mesmo… mas ela fugiu para a cozinha, pegou numa faca e apunhalou-o fatalmente. A jovem de 19 anos foi agora condenada à morte.

Esta é a história de Noura Hussein, uma sudanesa que está presa desde maio de 2017, depois de ser entregue às autoridades pelo próprio pai. A sentença pela morte de Abdulrahman Mohamed Hammad foi conhecida esta quinta-feira e os advogados da jovem têm 15 dias para recorrer.

“O grande desejo de vida de Noura Houssein era ser professora, mas acabou por ser forçada a casar com um homem abusivo que a violava e violentava”, conta o diretor adjunto da Amnistia Internacional para a África Oriental, Seif Magango, que acusa o tribunal de não reconhecer a existência de violação no casamento. “Noura Houssein é a vítima e a sentença contra ela é um ato intolerável de crueldade.” A lei permite que a família do homem escolha entre uma compensação financeira ou a pena de morte. Escolheu a segunda opção.

Na sequência da sentença, a Equality Now, um grupo de Direitos Humanos que está a acompanhar o caso judicial de Noura, prometeu escrever ao presidente do país, Omar al-Bashir, para pedir clemência, conta o “Guardian”. “Também apelamos às pessoas espalhadas pelo mundo para assinarem a petição de apoio a Noura no change.org.”

Segundo dados de 2015 das Nações Unidas, uma em cada três mulheres no mundo já experienciaram violência física ou sexual num momento das suas vidas; duas em cada três vítimas de homicídio do companheiro/familiar são mulheres.

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