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Cabo Verde aperta fiscalização às bebidas alcoólicas para diminuir o seu consumo

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Cerca de 200 agentes de fiscalização cabo-verdianos vão receber formação sobre prevenção do uso do álcool e ainda este mês vão avançar com ações junto do comércio para garantir a segurança das bebidas e reduzir o seu consumo.

"Vamos exigir comprovativos de segurança, como análises laboratoriais. Na rotulagem vamos controlar dados como a indicação da produção, lote, grau alcoólico e volume corretos. Estas informações encarecem o produto e retiram-no do alcance de qualquer um, diminuindo a quantidade consumida e os problemas", disse à agência Lusa o inspetor-geral das Atividades Económicas (IGAE), Elisângelo Monteiro.

Este organismo é um dos envolvidos no ciclo de capacitação dos agentes de fiscalização e controlo sobre o papel da fiscalização preventiva e as consequências individuais e socioeconómicas do uso excessivo do álcool, que hoje arrancou na ilha da Boa Vista, em Cabo Verde.

Nesta primeira sessão estão presentes 15 agentes envolvidos nas várias fases da fiscalização do consumo do álcool, uma realidade que preocupa as autoridades cabo-verdianas.

Trata-se de uma iniciativa da Comissão de Coordenação do Álcool e outras Drogas de Cabo Verde, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que se realiza hoje e quarta-feira, mas que terá continuidade e, segundo Elisângelo Monteiro, vai abranger 200 agentes dos 22 municípios que serão envolvidos.

O inspetor-geral das Atividades Económicas revelou que o alvo prioritário da ação destes agentes, que vai avançar ainda este mês, serão as bebidas de acesso mais fácil, como aguardente, derivados, ponche e licores.

Este tipo de bebida é "amplamente utilizado, sobretudo nos festivais, pois devido ao seu preço os jovens têm um acesso mais fácil", disse, acrescentando: "Por causa da sua carga alcoólica estas são também as bebidas que mais desgraça provocam. Seguidamente vamos para o vinho", afirmou.

Segundo Elisângelo Monteiro, a formação que agora arrancou proporcionará consistência técnica às atuações dos agentes de fiscalização, que precisam de informações para transmitir ao agente económico.

"Estamos a explicar os limites do consumo, as informações que devem conter a bebida. Este é um processo que irá dificultar o consumo e a sua produção", referiu.

A fiscalização é a nível do comércio, na sua generalidade, com o controlo a incidir na produção nacional, mas também nas bebidas alcoólicas importadas.

Um diagnóstico traçado no âmbito da preparação do Plano de Ação da Saúde do Adolescente 2015-2020, e apresentado em setembro do ano passado, apontou que o consumo de álcool e drogas estão entre os principais problemas de saúde dos adolescentes cabo-verdianos.

A formação que arranca hoje em Sal Rei, na ilha de Boa Vista, dá precisamente destaque para o consumo do álcool por menores de idade, pessoas que se apresentem notoriamente embriagadas ou que aparentem possuir alguma anomalia psíquica.

Entre 2002 e 2015, as famílias cabo-verdianas mais do que duplicaram as despesas com bebidas alcoólicas, que representavam 4% do orçamento familiar.

Em 2002, as despesas com bebidas alcoólicas representavam 1,8% do orçamento das famílias cabo-verdianas, tendo esse valor atingido os 4% em 2015, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde (INECV).

Nos agregados familiares com despesas de consumo de álcool (38,7% das famílias cabo-verdianas), cada pessoa gastou em média, por ano, mais de 72 euros em bebidas alcoólicas, sendo a ilha da Boa Vista a que apresenta maior gasto médio por pessoa, mais de 134 euros, e Santiago a menor com cerca de 67 euros.

Os dados revelam ainda que estas famílias gastaram mais em bebidas alcoólicas (4% do orçamento) do que em ensino (2,1%) e saúde (2,7%).

Ainda de acordo com os mesmos números, cada cabo-verdiano consumiu em média 20,16 litros de álcool puro por ano, sendo 6,1 de aguardente (grogue), 5,1 de vinho e 3,5 de cerveja.

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