São Vicente: Carnaval em Mindelo une gerações entre fantasia infantil e tradição dos mandingas

Escrito por em 15 de Fevereiro de 2026

Mindelo voltou a afirmar-se como capital cultural de Cabo Verde, ao transformar as suas ruas num verdadeiro palco de celebração carnavalesca. Entre a doçura dos desfiles infantis e a força ancestral dos mandingas, a cidade viveu um domingo marcado por emoção, criatividade e identidade cultural.

Centenas de pessoas saíram às ruas para assistir a um espetáculo onde a tradição e a renovação caminharam lado a lado, reforçando o papel do Carnaval de São Vicente como uma das maiores manifestações culturais do arquipélago.

Crianças dão o tom de esperança e continuidade

A abertura do desfile esteve a cargo do Monte Sossego Mirim, que trouxe de volta o tema “Um óne ne Soncent”, apresentado originalmente pelo grupo oficial em 2016. A proposta foi reinventada para o universo infantil, com trajes coloridos que retrataram momentos marcantes vividos na ilha ao longo do último ano.

A presidente do grupo destacou que o Monte Sossego Mirim funciona como uma verdadeira escola de Carnaval, preparando as novas gerações para manter viva a tradição na Zona de Índio. Pela 11.ª vez, cerca de 200 crianças desfilaram, demonstrando que o futuro do Carnaval mindelense está assegurado.

Também dedicado ao público mais jovem, o grupo Alegria de Campim encantou o público com o tema “Mundo Encantado da Disney”. Mais de 100 crianças deram vida a personagens mágicas, transformando as ruas de Mindelo num cenário digno de conto de fadas, onde princesas, heróis e figuras encantadas arrancaram aplausos e sorrisos.

Mandingas reforçam identidade e resistência cultural

Com o cair da tarde, o ambiente ganhou outra intensidade. Os tradicionais mandingas tomaram conta das ruas, representando bairros como Fernando Pó, Espia, Ribeira Bote e Fonte Filipe.

Entre batidas fortes, corpos pintados e coreografias marcantes, os grupos reafirmaram a essência popular do Carnaval. Alguns desfilaram de forma mais modesta, outros arrastaram verdadeiras multidões, como foi o caso de Ribeira Bote, sempre acompanhado por um público vibrante.

Os Mandingas de Fernando Pó aproveitaram o momento para transmitir uma mensagem de resiliência, recordando que São Vicente mantém o seu brilho mesmo após a passagem da tempestade Erin, em agosto de 2025. A atuação foi marcada por simbolismo e orgulho identitário.

Humor e crítica social marcam presença

O Carnaval também foi palco de sátira e crítica social. O grupo Mama Gelód trouxe humor à discussão pública ao fazer referência à polémica declaração do presidente da Câmara Municipal, que afirmou que São Vicente é “feita só de ribeiras”. Em tom irreverente, sugeriram que as ribeiras fossem classificadas como Património da Humanidade, arrancando gargalhadas e aplausos.

Juventude e ritmo encerram o dia

O encerramento das animações ficou por conta da Bateria Ritmo do Norte, que reuniu dezenas de jovens numa poderosa demonstração de percussão. O som intenso e sincronizado das batidas contagiou o público e manteve a energia em alta até ao final da noite.

Programação continua até terça-feira

A festa prossegue esta segunda-feira com destaque para o grupo dos Professores e uma apresentação conjunta inédita dos Mandingas de São Vicente, que este ano contam com um espaço exclusivo na programação.

Na terça-feira realizam-se os aguardados desfiles oficiais, com dois grupos em competição: Flores do Mindelo e Cruzeiros do Norte, prometendo mais um capítulo memorável do Carnaval de São Vicente.

O Carnaval em Mindelo reafirma-se, assim, como uma celebração de identidade, criatividade e resistência cultural, onde cada geração encontra o seu espaço para brilhar.

Fonte: Inforpress

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